Os 3 Mosqueteiros


09/06/2010


 
 

Eu e você

 

 

Seremos somente eu e você.

Como sempre deveria ser.

Andando por onde for. Sonhando mais alto, voando rasante.

Não há limites para o que possamos fazer ou querer.

 

A distância entre nós dois

Talvez seja grande.

Enorme

Nada disso me diz nada.

Anos são minutos.

Quilômetros são centímetros.

Como dizem ser de muitos quilômetros? Se sinto você aqui perto do meu coração? Junto, colada.

Como posso pensar em anos? O tempo pára. Não corre um ponteiro porque estamos juntos. O tempo não existe enfim.

Distância é questão de olhar, é desculpa.

Distância é para aqueles que não amam. Nós estamos juntos, agora e sempre e ninguém pode dizer o contrário. Nada nos separa. Como quer separar água do sal com as mãos? Deseja tapar o sol com uma peneira? Nosso amor é um incêndio ardente e nada fica no caminho.

Não há lógica em meus atos. Paixão é meu diagnóstico. Sonho contigo e sei porque. Sinto-te, ouço-te e sei disso. Não sou maluco, sou apaixonado.

Espera-me que sei onde tenho que ir. No momento certo como quando um trapezista pula para o outro lado enfim ficarei junto agora fisicamente.

Dois em um. Uma alma enfim completa. Amor é nossa ligação. E não há ligação melhor que essa. E essa é a menor distância entre duas almas.

Categoria: Lucas
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 20h47
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Saudade

 

 

E eu chamo de saudade. O brilho das estrelas, a quietude do luar, o horizonte da manhã e a plenitude do acordar. E eu chamo de saudade. O grande gesto que é um abraço, uma simples palavra jogada fora no ar. E se em lembranças me desfaço, como ave fênix, renasço nas cinzas do lembrar.

E chamo de saudade. Meu passado, já passado, e hoje apenas relembrado como o mais tenro gesto de carinho. E em qualquer dia que caminhei, hoje lembro que naquele dia, não caminhei sozinho. E disso tenho saudade. Pois em meu peito bate ainda a velha amizade, a paixão apagada, chegar à maior idade e a criança amamentada.

E chamo de saudade esse sentimento. Esse lembrar. Aquele momento que sempre me faz voltar. E na verdade, descubro que de tudo que poderia lembrar, a saudade nada mais é do que eu simplesmente a me chamar.

Categoria: Tuna
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 20h45
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Melhor amigo

 

 

Ele correu,

Foi para longe,

Só que desta vez,

Não voltou.

 

Se ele era meu melhor amigo,

Por que jogo cada vez mais longe,

E espero que ele se arrisque,

E volte depois de tudo?

 

Cometi um erro,

Em pensar que ele voltaria sempre,

Refleti os momentos que passamos juntos,

Eu o queria por perto, e só.

 

Talvez ele nem gostasse tanto de mim,

E nunca mais volte,

Ou talvez tenha cansado de atender comandos,

Ou talvez ele tenha encontrado alguém melhor.

 

Não fui um bom amigo com ele,

Mas ele gritou atrás de mim,

Tinha dado a volta, estava no lugar certo,

E eu esperando que ele fosse como eu queria.

 

Mas não era. Era mais. Era meu melhor amigo.

Categoria: Tuan
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 20h35
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20/04/2010


 
 

Marley

Lembro de quando nos conhecemos como se fosse ontem.

Eu estava na ingenuidade e energia da infância. Vivia correndo, meio perdido.

Lembro que era noite. Você estava com seus pais que resolveram por me adotar.

Soube naquele momento que tinha ganhado um amigo para a vida toda.

Você também na infância olhava para mim desconfiado no início. Era diferente eu estar em sua casa, eu sei, mas você sempre gostou de mim.

Lembro-me excessivamente bem da primeira noite que dormi lá.

Chorei a noite toda. Era difícil se adaptar em uma nova casa, sentia saudades de meus amigos.

Logo no dia seguinte você em um gesto simples como em me dar um biscoito já foi me abraçando.

Vivíamos juntos se lembra? Vivíamos brincando, correndo de um lado para o outro. Sua mãe ficava desesperada com a nossa bagunça.

Nossa brincadeira preferida era com a velha bola que tínhamos. Corríamos de um lado para outro atrás da bola. Eu sempre ganhava. E no final te dava a bola de novo pra continuar a brincadeira.

Vimos nosso primeiro filme de terror. Os barulhos altos me assustaram mais do que tudo. Naquela noite nenhum de nós conseguia dormir. Resolvemos nos revezar. Enquanto um dormia o outro tomava conta.

Claro que você acabou por dormir a noite toda e eu por ficar de guarda né, mas detalhes.

O tempo foi passando. Ambos ficamos mais maduros, mais crescidos.

Mas continuávamos sempre juntos. Lembro-me de você me contando de seus problemas na escola, seus sonhos.

Sempre fui um excelente ouvinte, mas nunca fui de falar.

Lembro quando você trouxe sua primeira namorada para casa. Ela tinha um cheiro estranho, mas enfim. Você gostava.

Lembro de nossos passeios matinais. Resolvemos entrar em uma de fazer exercícios toda hora. Cá entre nós, nós precisávamos.

Toda manha no início andávamos. Depois corríamos. Toda manhã lá estávamos juntos.

Lembro de quando passou no seu esperado vestibular. Nunca estudei, mas sempre me considerei inteligente.

Como você estava feliz na faculdade. Todo noite chegava em casa com um cheiro forte de cerveja e mais algumas coisas, mas isso faz parte.

Claro, lembro-me infelizmente da noite do acidente de seu pai. Foi a mais longa das noites para todos nós.

Fiquei junto de você, te esquentando, te ajudando. Foi complicado. Ainda sentia o cheiro dele na casa.

Lembro quando você conheceu sua esposa e se casou. Foi emocionante. Até eu participei da grande festa.

Você se mudou no dia seguinte. Eu permaneci na casa, comprometido a ficar com sua mãe.

Eventualmente também encontrei minha amada. Ela estava na rua, sem casa definida como eu estava na infância.

Sua mãe se compadeceu olhou para mim e a trouxe para casa.

Foi amor a primeira vista. Tivemos dois filhotes.

Lembro do dia que você mesmo teve seu filho. Foi lá em casa e me chamou para morar contigo. Nunca fiquei tão feliz.

Fui eu e minha família ficar com a sua. Eu brincava com seu filho exatamente como brinquei contigo.

Mas o tempo se passou rápido e eu agora sentia. Meu corpo doía, vivia deitado. Você ainda era jovem, mas para mim o tempo passou mais rápido.

Envelheci. Adoeci.

Lembro da noite que exatamente como eu fizera você ficou a noite toda do meu lado, me ajudando, me amando.

Uma madrugada levantei devagar, beijei meus filhotes e minha amada. Beijei seu filho e sua mulher e fui até onde você dormia no sofá.

Tinha pagado de novo vendo filme de terror. Exatamente como na infância.

Peguei um cobertor pra você e deitei ao seu lado.

Te beijei e te olhei uma última vez.

Não cheguei a ver a sua reação nem a de ninguém ao acordarem e me verem já morto.

Parti tranqüilo, feliz.

Vivi uma amizade, uma relação eterna de amor. Um dono e seu cachorro. Você e eu.

Categoria: Lucas
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 10h39
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História de Vida

Estava irritado. Não sabia o porquê, mas estava. Estava chateado. Do nada a onda de pensamentos negativos inundava o seu ser e transformava o seu olhar naquele olhar distante, ausente ou zangado. O motivo dessas reações? Boa pergunta...

 

Voltava para casa após mais uma briga com a namorada. Ele sabia que ela estava certa, e ele, sem paciência. O fato de saber isso fazia com que ele se machucasse cada vez mais e isso atormentava o namoro com a garota que ele há alguns dias atrás, se via claramente casando.

Discutia em casa, brigava com os cachorros, não procurava os amigos... Aquilo era o inferno. E o por quê? Já lhe disse que essa era uma boa pergunta.

 

 

Numa segunda feira ao voltar para casa, estava com os pensamentos nublados novamente. Havia mais uma vez discutido com a garota e agora, ao andar, se culpava por ser tão idiota com a pessoa na qual ele mais amava.

 Olhou para o céu para ver se a forte dor de cabeça era causada pelo excesso de sol ou qualquer motivo. Gaivotas voavam sobre ele e de repente ele parou.

 

Pássaros voavam.

Pássaros voavam.

E ele decidiu tentar

 

Abriu os olhos e estava voando junto deles. O engraçado é que conseguia se ver lá de cima, e também viu a gaiola que ele próprio colocara em torno de seu corpo. No alto não havia irritação, brigas ou qualquer pensamento negativo. Somente havia a liberdade.

 

Num rápido mergulho, voltou a habitar seu corpo terrestre. Percebeu que ele próprio causara aquela armadilha na qual ele se debatia todo dia. Suas frustrações, medos e bobeiras foram criados por sua própria imaginação, ou falta dela. E ele ousava jogar aquele mesmo jogo durante aquelas semanas que se passaram... Mas não mais! Pois afinal, os pássaros voam! E ele também.

 

O autor desse texto acredita que a vida é como um livro que escrevemos um capítulo novo a cada dia. Só que não existe chance de corrigir o que foi escrito. Por isso devemos escrever com cuidado e com calma aquilo que queremos dizer as pessoas em nossa volta.

 

 

A história daquele garoto já havia um começo. Não sabia quando chegaria ao fim, mas ele queria ter certeza que sua história teria um ótimo meio também. Por isso, arrancou uma pena de suas asas, e escreveu um novo capítulo em sua vida chamado:

 

Recomeço.

 

E tenho esperanças que esse será um dos capítulos mais bonitos dessa história.

Categoria: Tuna
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 10h36
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Companheiro

Outro dia me perguntei por que não quero ficar sozinho. Não é um desejo somente meu, é um medo de todos. Ser esquecido ou ignorado é pior do que ser odiado.

Todo mundo precisa de companhia, e como a palavra diz: compartilhar o mesmo pão. Dividir afinidades, divergir opiniões, formar idéias, solucionar problemas, cantar vitórias, chorar derrotas. E isso não se faz sozinho. Tem gente que precisa de vários amigos, outros somente de um. Alguns procuram num amor, outros, até num animal de estimação.

Mas a minha indagação foi para o motivo dessa necessidade. Alguns animais nascem e se viram sem precisar de ajuda. Mas os humanos tem certa necessidade de acompanhar uns aos outros. Às vezes tentando imitar suas conquistas. Aprender com suas derrotas. Às vezes aturando certas divergências somente para não perder a companhia.

Há milhões de pessoas nesse planeta. É gente demais que nasce e morre todos os dias. E elas tem medo de sua existência passe despercebida.

Elas precisam de testemunhas.

Alguém que esteja a seu lado e diga: “Eu estava com você para ver isso”.

Alguém que queira ficar do seu lado, enquanto você chora, e também quando ri.

Alguém para dividir o pão da vida, que é grande de mais para ser comido sozinho.

Alguém que torne importante a razão de fazer tudo o que fez.

Alguém que valha a pena morrer.

 

Então, você aceita esse pão?

Categoria: Tuan
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 10h31
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30/12/2009


 
 

Natal

 

Era um dia especial, eu sabia. Como sempre, vira que meus presentes não estavam na árvore e sabia que dali um pouco meu pai sumiria e logo apareceria Papai Noel. Não haveria renas ou trenó, nem mesmo um Papai Noel de verdade, pois sabia que este que vinha a minha casa era meu pai disfarçado. Na hora da ceia, todos se sentariam á mesa de jantar e se empanturrariam com aquelas comilanças exageradas soltando milhares de elogios à mamãe que agradeceria e ficaria toda prosa. E papai, na hora que retornasse misteriosamente quando Papai Noel desaparecesse, abriria o seu vinho favorito e um copo atrás do outro fariam do seu rosto algo em tom vermelho vivo, talvez em comemoração ao Natal, e lhe trariam gargalhadas sem fim em volta dos meus outros tios. Eu experimentaria meu brinquedo novo, me exibindo para os meus primos. Então, minha mãe me colocaria na cama e daria início ao fim desta data que era minha favorita no ano.

Era um dia especial, eu sabia. Como sempre, minha mãe havia comprado uma vela nova que acendeu em frente à imagem que minha avó lhe dera antes de falecer. Chegaria em casa cansado do dia de trabalho, embora fosse ainda uma criança. Deixaria o pacote com as balas que não tinha vendido e o dinheiro que consegui na caixa de sapato em cima da geladeira. Atravessaria a casa, composta de um só cômodo, e próximo de minha mãe sentada na cama eu me ajoelharia e pediria sua benção.  Ela sorriria, me abençoaria e faria um gesto para que me sentasse ao seu lado. Obedeceria ao gesto e junto a ela fecharia meus olhos e oraríamos em frente a imagem do Sagrado Coração de Jesus.  Então, minha mãe me colocaria na cama e daria início ao fim desta data que era minha favorita no ano.

 

Categoria: Brêda
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 21h55
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Natal diferente

 

 

Era novembro. Desde a festa de Halloween, começaram os preparativos para o Natal. Pareciam um pouco precipitados, mas queriam fazer tudo certo dessa vez. Estavam todos animados, empolgados e cheios de esperanças. Menos ele.

Ele também esperava o Natal e queria que tudo desse certo. Mas tinha algo simplesmente errado, e ele não sabia dizer o que. Como algo que se vê no canto do olho, e quando se vira, desaparece.

O Natal vem aí, anime-se todos.

Tiraram amigo oculto, e faltava um mês para o dia.

Duas semanas depois, e todos foram ao supermercado. Já eram todos grandes, e se separam em grupos para comprar cada item. E começou a confusão. Uns queriam peru, como fora todos os anos, mas outros queriam mudar, e queriam pernil. A discussão foi breve, e terminaram comprando o pernil. Depois discutiram as sobremesas, e ele sugeriu que se fizessem todas, em porções menores, mas que todos pudessem comer.

Chegaram com o carro cheio de compras. Ninguém quis levar por todas as escadas e os irmãos brigaram. Um dizia que já havia carregado outra vez sozinho. Os outros alegavam o mesmo. Até os pais entrarem na briga, dizem que já eram quase adultos e que agissem como tal. Todos carregaram, em silêncio.

Mas eram só compras de Natal.

Os tios se juntaram para saber o que fariam no Natal. Os pais, que já estavam estressados, não mais animados, não queriam mais sujar toda a casa porque sempre sobravam para eles. E foi a vez dos adultos discutirem. Decidiram fazer na casa dos pais, que sempre viam na véspera. Já estavam velhos, seria melhor se deslocar até eles. A casa era pequena, mas caberiam todos.

O Natal chegava, tempos de paz.

Saíram para comprar presentes. Shopping lotado. Qualquer um ficaria irritado, e a família brigou de novo. Um das meninas escolheu um vestido, só que a outra disse que já tinha gostado e não queria roupa igual. Foram em outra loja e compraram outra roupa, uma para o Natal e outra para o Ano Novo. Ele ficou calado, observando, mas depois compraram roupas novas para ele também.

Estava chegando o Natal, tempos de esperança.

A sensação nele aumentava. Algo estava errado, como uma bomba prestes a explodir.

Véspera de Natal. Compras de última hora. Briga: Quem sairia para comprar. Os pais não queriam emprestar o carro, eles já bateram quando saíram com amigos. A briga mudou de rumo.

Ele arrumava a mesa, escutando a briga, sempre alta. Então, como um pisca-pisca que se acendeu, ele entendeu. A bomba explodiu.

“Está tudo errado!”, ele gritou. “Tudo errado!”.

Todos olharam para ele. Costuma ser sempre quieto, e quase nunca participava das brigas, ou quase sempre acabava com uma solução pacifica.

Ele suava, e tremia. Fechou os punhos e começou a falar.

“Todos os dias, escuto por aí: ‘O Natal é tempo de paz’, e todos nós pregamos isso.”, começou ele. “Mas quem de vocês sentiu a paz? Primeiro dentro de si mesmo, depois refletindo a sua volta?”. Ele parou, e respirou, ofegante.

“Todos dizem que o Natal é tempo de esperança, mas quem que espera algo novo acontecer, se está sempre fazendo a mesma coisa?”, olhou pra todos, sem esperar resposta. “Comida boa, roupas novas, presentes, isso tudo é muito bom, mas estão todos cientes do que estão fazendo? Ou seguem apenas por costume?”.

“É como o Papai Noel, ele pode não existir como a figura que fomos familiarizados, mas acho que ele deve existir dentro de nós, independente da religião”. “Também não é algo que deva ser periódico, será que só se deve ser bom quando todos estão sendo?”.

“E de todos que erraram, eu fui o que mais errei.”, olhou para baixo, então. “Não é de hoje, que venho vendo como essa família está caminhando, achando que algo estava errado”. Olhou para todos, sentindo-se quente, misto de vergonha e exasperação. “Foi então que percebi, não havia algo errado. Estava tudo errado. E o que via, era a única coisa certa: Estamos fazendo esse Natal juntos!”.

Todos o abraçaram, chorando. Esqueceram seus problemas. E tiveram um Natal como os anos anteriores, mas diferente de qualquer um de suas vidas. Estavam comemorando o verdadeiro Natal.

 

 

Você pode acreditar nessa história ou simplesmente virar a página, depende de você, e de sua fé. Mas se esperança é a última que morre, qual é a crença que te mantém vivo?

 

 

Categoria: Tuan
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 21h52
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Presente

 

 

Havia engordado bastante nos últimos anos. Na verdade, estava acima do peso desde os remotos de sua juventude. Sua barba estava cumprida, porém retrava respeito e dedicação ao invés de desleixo. Tinha pegado uma corzinha no ultimo verão, mas como era branco como a neve, ficou com as bochechas rosadas. Não criava gatos, cachorros ou pássaros... Criava renas! Sim, ele tinha licença para criar os adoráveis cervos que volta e meia ficavam pulando no fundo de seu quintal.

 Não tinha uma profissão realmente definida. Na verdade, fazia mil e uma coisas... Podia ser considerado um inventor, porém aquilo que mais fazia com paixão era montar brinquedos. Desde pequeno gostava de esculpir, ajeitar, modelar, enfim, criar.

 Todo ano, viajava para levar as crianças pobres, os brinquedos criados ao decorrer daquele ano. Eram muitas crianças, logo eram muitos brinquedos. Ele colocava tudo em um saco vermelho grande e ajudado pelas renas, ia levando de casa em casa.

 Havia muito tempo que fazia isso, e também havia muito tempo que não ganhava um presente. Seu último presente foi um gorro vermelho que sua mãe havia costurado para ele a inúmeros anos atrás. Ele não se queixava disso. Pelo contrário, sempre estava feliz e sorridente para com todos.

 

Os anos novamente se passaram até o dia de hoje em que escrevo esse texto. Hoje é novamente à noite em que aquele senhor sai para entregar os presentes das crianças. E agora caro leitor, vou descrever uma das entregas dessa bondosa alma.

 

Estava frio... Por que sempre precisava fazer frio nessas noites? Ele pensou consigo mesmo... Bem, vamos lá...

Não havia chaminé naquela casa. Na verdade, mal havia um telhado feito de feno. Não tinha jeito... Teria que entrar pela porta mesmo! Foi chegando devagarzinho e abriu lentamente a porta de madeira velha e podre. Pisou levemente no chão e olhou para dentro. Era uma pequena casa que tinha não mais do que uma sala com uma cozinha no canto e um quarto. A porta do quarto estava fechada naquela hora. Não havia árvore, bonecos, nada... Somente uma única meia velha rasgada no canto ao lado de um embrulho com um papel de carta. Nesse papel, o senhor estranhou, pois em letras tortas, estava escrito o seu nome. Ele sentou no chão de terra batida e começou a ler a curta mensagem que haviam lhe deixado:  “ Obrigado por todo ano... Eu não sei quem o senhor é, mas acho que devo lhe chamar de amigo. Mamãe não tem dinheiro para lhe comprar um presente, então eu mesma fiz seu presente. Desculpe por não poder dar nada melhor”

 

Embaixo estava desenhada uma pequena menininha com seus cabelos pretos e olhos grandes ao lado de um homem que segurava um presente.

 

Ele abriu o pacote fechado e lá estava um ursinho feito de pano, com botões e alguns outros acessórios que encontramos em casa. Ele podia imaginar o vestido agora rasgado da menina, os botões arrancados de alguma roupa muito velha, o cabelo feito de palha arrancada do telhado... Sim, ele havia ganhado um presente. E ele havia ganhado bondade.

 

 

Para aqueles que não têm e às vezes tem que ter pra dar ( Djavan) eu lhes ofereço essa pequena homenagem, porque não é somente no Natal que acontece a magia. Ela está presente em todos os dias naqueles que a carregam no lado esquerdo do peito.

Categoria: Tuna
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 21h50
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30 Centímetros para o Ano-Novo

 

 

 

 

Dia 31 de Janeiro de 2009 às 23h30min.

Uma mulher estressada, no oitavo andar, apertava freneticamente o botão na esperança de que o elevador chegasse ao menos um pouco mais rápido.

Mas ele não estava indo para lá. Estava indo em direção ao décimo andar, onde um homem não tão estressado esperava pacientemente sua chegada.

 

Abriu a porta e entrou um tanto calmamente demais para que estava atrasado como ele.

Pensava: “Não devia ter perdido tanto tempo vendo as melhores músicas de 2009, mas putz tava muito engraçado. Espero que meus amigos não me matem por chegar atrasado, no show de final de ano do Paralamas do Sucesso.”

 

O elevador chegou finalmente ao oitavo andar e a mulher entrou como um raio

Sua mente estava a mil. “Droga, demorei demais para me arrumar, Tomara que consiga chegar a tempo para encontrar minhas amigas para ver os fogos.”

 

Sua ansiedade era aparente e forte, “Talvez se eu pegar a rua paralela eu consiga pegar outro ônibus que me leve mais rápido pela...”

“Da ba dee da ba dae. Hê, hê essa música pega mesmo.” divagava ele.

O elevador percorria constantemente lerdo seu percurso até a portaria. Nenhum sinal de conversa, nem um simples “oi” foi dito naquele elevador. O silêncio imperava.

 

E assim foi até o elevador parar. Mas o detalhe foi onde ele parou. Não foi na esperada portaria, nem mesmo em mais um andar aleatório. Ele parou simplesmente no meio do caminho, na brecha entre a portaria e o primeiro andar.

Em um solavanco seco parou. Era só o que faltava. A mulher surtou total.

 

Ela gritava, chorava, batia desesperada nas paredes, tentando empurrar o elevador só mais um pouquinho. “30 centímetros, somente malditos 30 centímetros para chegar à portaria.”, resmungava ela.

O homem olhava para um lado e para outro, um tanto como perdido mais do que preocupado.

 

Então ela olhou para ele, olhando para todos os cantos e se irritou de vez: “ Mas o que diabos você está fazendo? Não vê que estamos presos aqui, em pleno Réveillon! Vou perder a droga dos fogos!”

“Você acha que é a única aqui se prejudicando? Ah desculpa realeza, mas eu também não quero estar preso aqui com você. Vou perder também meu show com meus amigos entendeu?”

“Mas você não entende. Vai num show com amigos, fica aí despreocupado. Eu ralei o ano todo sozinha, batalhei tanto nesse ano, perdi emprego e tudo. Eu merecia algo melhor de ano novo que isso.”, ela chorava enquanto despejava tudo o que passara.

“Hei e eu? Não foi fácil também não. Perdi matérias na faculdade, lutei pra caraça, to trabalhando ainda. Também quero um descanso.”, ele também se emocionava.

 

Os dois começaram então em um silêncio profundo, a lembrar de tudo que passaram nesse ano, primeiro soltando discretas lágrimas até um choro inconsolável.

Lembravam das glórias, alegrias, tristezas, sofriam um enorme retrospectiva 2009 em apenas alguns segundos. Era muita emoção para segurar.

 

Então acidentalmente um tocou a mão do outro. E se olharam por reflexo.

O reflexo instintivo tornou-se carinho, que enfim tornou-se vontade; enquanto suas mãos subiam rumo à face um do outro e se aproximavam até que não houvesse mais distância entre seus lábios.

 

E de uma forma inesperada um tanto quanto previsível, nesse instante o elevador voltou a funcionar.

Porém ele não percorreu os 30 centímetros que faltavam para atingir a cobiçada portaria, nem mesmo voltou para o primeiro andar.

 

Ele subiu rumo ao décimo andar aonde enfim parou.

O homem olhou para a mulher e sorriu. “ Aceita me conceder a presença de sua realeza para passar o Réveillon em minha casa?”, dizia enquanto fazia um reverência e estendia o braço.

“Eu adoraria”, e enroscou seu braço no dele. E juntos foram rumo ao apartamento dele, com a certeza de que independente de como tivesse sido esse ano que passou esse ano de que vem agora promete.

 

Categoria: Lucas
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 21h35
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26/11/2009


Gosto de chorar em frente ao mar


 

Gosto de chorar em frente ao mar

Aonde grandes porções de tristeza

São transformadas em poças sem nenhuma grandeza

E sem nenhum único lamentar

 

Gosto de chorar em frente ao mar

Para que as lembranças sejam levadas

E que antigas esperanças sejam retomadas

Pelo cheiro de maresia fresca no ar

 

Gosto de chorar em frente ao mar

Pois ele não reclama

E se por acaso minha alma exclama

Sei que ele está a me escutar

 

Gosto de chorar em frente ao mar

Meu grande depósito de sentimentos

Que me arrancam as lágrimas com ventos

E assim secam o meu chorar

 

Gosto de chorar em frente ao mar

Porque ele sente exatamente o que eu sinto

E se a verdade dói, pra ele não minto

Pois as ondas me trazem sempre para o mesmo lugar

 

Gosto de chorar em frente ao mar

Pois o mar também tem sentimento que aflora

E mesmo o mundo que lhe ignora

Existe alguém aqui que por ti também chora

Eu.

Categoria: Tuna
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 22h03
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Game Over


 

O jogo já iniciou,

E não há tutorial,

Desde que começou,

Só podemos chegar ao final.

 

Colete todos os prêmios,

Se lhe for conveniente,

Talvez ganhe um bônus,

Se você for competente.

 

Muitas fases são difíceis,

Mas nunca desista,

Se esquive dos mísseis,

E salve sua vida.

 

Não há itens de vida,

Então tenha cuidado.

Corra para a saída,

Mas não vá muito rápido.

 

Não há como salvar,

Caso você erre,

Não há como voltar,

Por isso, se supere!

 

Aproveite tudo, sem igual,

Cada caminho que houver.

Por que é sempre o mesmo final,

Ganhando ou perdendo,

Game Over

.

.

.

Categoria: Tuan
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 22h03
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É Hora


 

E ela vem. Inevitável, temida, constante.

Ouvimos histórias, relatos de como é que ela vem, como ela de fato é. Mas isso de nada adianta.

Preparamo-nos como podemos para o crucial momento que não podemos escapar.

Quando ela adentra a sala o silêncio se instala. Uma falta de som como o de respeito a um morto.

Vemos incapazes de fazer nada, ela chegar devagar para cada um de nossos amigos e colegas. Observamos suas reações, suas ações diante de sua aproximação silenciosa e mortífera.

Ao passar perto de nós, nossos olhos como que perdidos em meio ao pavor, busca de alguma forma desmistificá-la, torná-la mais tranqüila. Apelamos para reza ou para métodos mais ilícitos numa desesperada tentativa de enfraquecê-la. Mas de fato pouco adianta.

Logo era nossa vez. Não há mais depois. Ela se aproxima silenciosa.

Tingida do mais pálido branco e com linhas constantes do mais obscuro negro.

Agora chegou a hora.             

 

Mais um dia de prova.

Categoria: Lucas
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 22h03
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Amódio

 

 

Tão parecidos

Tão discrepantes

Ambos semelhantes

Ao serem sentidos

 

Fazem chorar

Fazem o corpo todo arrepiar

Nos fazem enlouquecer

Nos fazem loucuras realizar

 

Há quem diga que um leva a outro

Há quem diga que o outro é o um

Mas se amar é também odiar

Porque não fazer destes sentimentos só um?

 

 Teríamos que um nome inventar

Não seria isso tão difícil

Basta amor e ódio juntar

E amódio seria um nome besta

Mas se encaixaria de maneira incrível.

 

Eu te amo verdadeiramente

Mas odeio tudo isso

E quando olho pra você,

Vejo o que há dentro de mim.

Vejo o Amor e Ódio juntos aqui.

Categoria: Brêda
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 22h03
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Mensageiro


 

Ouçam o que ele diz

Isso é um absurdo, inaceitável!

Quem ele pensa que é afinal?

Dizer-nos o que é respeitável

Isso só pode ser coisa do mal

 

Ouçam o que ele diz

Fala com tanta sabedoria, tanta paz

É um mensageiro do Amor

Tanto bem nos traz

Segui-lo-ei aonde for

 

Ouçam o que ele não diz

Veja suas atitudes, suas ações

São tão diferentes

Isso exige explicações

Confunde nossas mentes

 

Ouçam o que eu digo

Atentem ao que não digo, o que faço

Percebam o silêncio, alma, o ar

O que circunda a pessoa como invisível laço

Alguém sabe realmente escutar?

 

Ouçamos o que dizemos

Falamos o que não queremos ouvir

Silenciamos o necessário

Fazendo do certo uma miragem

O errado, não mais conseguimos discernir

Mas que fique aqui algo obrigatório

Matem o mensageiro, mas não descartem sua mensagem.

Categoria: Lucas
Escrito por Os 3 Mosqueteiros às 22h02
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